30 abril 2017

Para sempre até qual esquina?

Tudo que foi, volta. Principalmente aquele papo mal resolvido, ou aquela carta encaminhada pro endereço errado. Acreditem se quiser, não há nada que vá para sempre. Aliás, não dá pra acreditar em para sempre, isso é coisa de contador de história infantil: "E viveram felizes para sempre". A minha grande curiosidade era perguntar: "Para sempre até quando moça? Para sempre até qual esquina? " Minha indagação certamente não seria sanada, o máximo ignorada.

As coisas mudam, os anos passam e nenhum pacto sobrevive esse tempo todo. Mas uma vez ou outra, acabamos esbarrando um para sempre por aí. Essa é a parte mais difícil colega. Digo por que sei, e como sei. É como se em um flash você revivesse toda a sua vida novamente.

Tem coisas que vão e voltam, e acabam retornando possuindo toda a energia antiga, com força de  tsunami e a delicadeza de um arco-íris. Cabe exclusivamente a nós pertencentes de milhares de para sempres, deixar ou não que as coisas permaneçam. Aliás, se foi e voltou, não há em que se dizer em eternidade. Até onde vai/foi o seu para sempre?

07 janeiro 2017

Das coisas que eu fui

São 02:45 a.m e talvez meus pensamentos estejam turbulentos demais para tal hora. Andei pensando das coisas que fui. É, fui muito e acabei só com a passagem de ida mesmo. Fui de corpo e alma. Acreditei em coisas infinitas, li e reli sobre as grandezas da vida, aprendi uns palaveados novos com uns amigos, descobri novos estilos musicais, viajei no indie e no metal, no final tudo foi pro lixo. Brincadeira, não é mesmo? Uma vida  inteira sendo uma coisa e pensando outra. Tava na cara que eu não aguentava mais aquela gritaria do rock e nem aqueles dias trancada no quarto. Isso nunca foi pra mim.

Aquela maquiagem preta logo de manhã nunca teve nenhum ligamento com o que eu pretendia ser. Esse negócio é estranho, porque eu me tornei meu próprio mundo e não aceitava ao contrário. Fui a pior parte de mim. Foi eu quem me desliguei de todo tipo de sentimento do mundo, foi eu quem não queria mais ter relações sociais, exclui minha família e meus amigos. Eu que descontei essa bagunça em mim, me auto destruí pra ter que me reinventar. Foi eu que desacreditei, forjei, gritei, cortei e depois me entreguei. É muito bizarro. Nós precisamos sim acreditar em segundas chances, precisamos por a cara pra bater e ter o que defender. Eu errei tanto, que me senti envergonhada de reconhecer tamanha burrada. Não dá colega, uma hora a casa desaba.

Depois de tanta gritaria, de tanta destruição, eu realmente acredito que agora consegui. Falo isso na maior felicidade do mundo, por que só eu sei o que ficou pra trás. Sabe, me orgulho muito de ouvir as pessoas reclamar do meu barulho excessivo e das minha risadas nada discretas. Se elas soubessem quantas noites tive que passar chorando pra ter esse sorriso de hoje, elas me amariam. São tantas bênçãos, tantos anjos na minha vida que fica cada dia mais distante o que fui.  Houve dias que pensei que seria o fim, e agora tem dias que não quero que acabem. Ninguém nunca vai entender, não quero que entendam. É caos demais. As coisas que fui viraram pó. Acho. 

01 janeiro 2017

Uma carta para 2017

Primeiro de janeiro. Trezentas e sessenta e cinco novas oportunidades. Seja bem vindo dois mil e dezessete! Mas por favor, paciência. Ontem enquanto os fogos explodiam, tentei deixar tudo de ruim estourar junto com eles, mas como de costume na minha vida, nada é tão simples assim. O ano que passou foi arretado, não nego. Foi crise para todos os lados, em todos sentidos. Mas sabe o que me faz acreditar em você? É que estou disposta. Talvez um pouco cansada já, mas com uma vontade enorme de começar novamente. Aos poucos, mas com alma e coração. Eita que coisa clichê, não é mesmo? Hoje foi um dia de paz e é exatamente assim que desejo que tudo caminhe. Sem stress, me entende? Tudo em seu devido lugar, com a voz linda da Ana Gabriela de fundo e uma cabeça arejada. 

Descobri que não vale a pena tanto meu esforço. Quando é pra ser, vai ser. Dois mil e dezesseis foi um puta de um ano, mas superei. Aliás, nós superamos, porque já ouvi por ai que foi uma barra para todos. Tô chegando devagar. Cada coisa em seu lugar. A esperança permanece querido, e as ilusões passadas deixei no ontem. Apaguei muita baboseira, larguei muitos sentimentos em meio aos rojões. Não quero que você faça milagres, mas desejo que me permita alcançar novos propósitos. Afinal, você é só um ano novo, e eu uma eterna amante de coisas inovadas. Quero novas pessoas, amores e melodias. Quero poder dormir tranquila e trabalhar todos os dias sem a fadiga que dois mil e dezesseis me deu. Preciso de perder esse temor, e apenas deixar que tudo se ajeite.

Paciência 2017, apenas isso!

22 novembro 2016

Me compreenda

Acho que essa deve ser a quinquagésima vez que escrevo sobre você essa semana. Sei que prometi que não seria, mas agora é. É, e sinto muito. A vida tem andado desconcertada  moreno, desde o dia da sua partida. Aquela última imagem não sai da minha cabeça - você, com moletom azul, conversando com alguns amigos e sorrindo atoa - , me diz, como esquecer? Quando passei aquela porta pra fora eu sabia, sabia que nunca mais iria te ver daquela forma novamente.

Idiota. É assim que me sinto um ano depois. Quase sempre me pego pedindo aos céus pra que arranque toda essa nostalgia de mim, logo, de uma vez por todas, mas acho que os astros não estão ao meu favor. A verdade é que nada está favorecendo, tudo um grande vazio sem nexo. Basta dar uma lida nesses vocábulos pra saber que esta um imenso caos. É um transtorno dos brabo ficar sem você, querido. Tento te esquecer, juro que tento! Agora, aproveitando a ocasião, peço para que saia de uma vez por todas da minha memória, da minha vida, do meu coração, dos meus escritos, dos meus amigos. De mim. Peço que me compreenda, seria tudo tão mais fácil se você não tivesse esse sorriso misturado com esse brilho nos olhos e eu não fosse tão dependente disso.

19 novembro 2016

Do latim voltare

Voltar. Do latim Voltare. Verbo regular, que regularmente me faz mudar de rumo. Falo assim porque sei o tamanho do estrago que pode ser produzido por essa simples elocução. Tenho voltado demais recentemente, isso tem me amedrontado. Lembro-me de  quando decidi que tudo ficaria para trás e que de alguma forma o meu eu estaria recomeçando. Ilusão. Tem coisas na vida que é de certa forma impossível de não ser relembrada, ressentida e formada um puta de backup do que já se passou. É óbvio que lutei com todas as minhas forças para que nada disso acontecesse, mas ontem acabei lendo em algum lugar que o tempo quando é passado  não atormenta o presente. É, foi essa a frase que me fez ver que nada nunca esteve no pretérito. Aos poucos sinto que estou me tornando a mesma de dois anos atrás. Me tornando? Ou sempre fui? Sempre fui. Devo aceitar que nada modificou. 

Ainda sou a mesma. Mudar as músicas da playlist não me fez diferente. Aliás, quem troca Beatles por MC Livinho tem um problema sério na cabeça, e o meu, sempre foi querer ser diferente do que fui. Fui nada, sou! Um pouco mais gorda e estressada, admito! Mas é que fica impossível manter a calma quando não se sabe mais o que é. Uma mistura? Talvez. Uma mescla do que fui, do que sou e do que ainda pretendo ser. Confuso, não é? Onde foi que fui parar, e chegar ao ponto de querer voltar? É que não vale a pena meu caro. Não dá pra não retornar quando ainda nem se sabe onde está. Eu voltei, um pouco mais dura, dois anos mais velha, com a marra de sempre, viciada em café e a vida arejada. É um prazer poder escrever novamente, e já vou avisando que estou bufando de alegria. Ainda bem que a vida tem dessas coisas, o mundo gira e eu sempre volto pra cá. Voltei
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